A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach
Mostrando postagens com marcador José Carlos Pace. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Carlos Pace. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Moco e a Surtees TS16...

Moco e Big John...
Moco e o TS16 em Jarama...

1974...Moco depois de uma temporada em 1972 com Frank Willians que na época ainda não fabricava seus carros vai em 73 para a equipe de John Surtees onde depois de muita batalha consegue com o Surtees TS14A  na Áustria seu primeiro podium ao chegar em terceiro.
Em 1974 com o Surtees TS16 nesta configuração da foto e com o patrocínio da Bang & Olufsen faz quatro corridas como veremos abaixo nos comentários. Na nona corrida da temporada deixa a Surtees e corre com um Brabham da Hexagon para logo à seguir fazer o resto da temporada para a equipe Brabham...
À seguir os comentários dos amigos...

"Flavio Mello
Acho que 74 - Kyalami .

Ricardo Cunha
Rui: Estive olhando fotos dos cinco GPs que Pace disputou pela Surtees com esse patrocínio em 1974 ( Africa do Sul, Espanha, Bélgica, Mônaco e Suécia ) e achei essa foto abaixo, de Jacky Ickx, com uma Lotus 76, no GP da Espanha. O fundo da foto não é bem parecido com o da foto do Pace?

Flavio Mello 
Bom.....Em Kyalami e Jarama o carro tinha o patrocínio da Heuer na lateral , acima do Beolab . Então eu chuto Anderstorp - Suécia .

Ricardo Cunha 
Ele correu nos cinco GPs com o número #18.

Flavio Mello 
Bom.....Em Kyalami e Jarama o carro tinha o patrocínio da Heuer na lateral , acima do Beolab . Então eu chuto Anderstorp – Suécia

Roberto Moreira
Começo da temporada de 1974, antes do Moco mudar para a Brabham. Não sei qual o GP.

Walter
Deve ser Jarama / Espanha, em 1974; acho que o Moco não era fã do Surtees, tanto que abandonou a equipe no começo da temporada.
Creio que essa tenha sido a última corrida do Moco na Surtees.
O Surtees B&O passou para o Jochen Mass.

Anônimo
Jarama 1974"

Obrigado à todos, um abraço

Rui Amaral Jr 



Ickx em Jarama na foto comentada por Ricardo Cunha.
Essa não podia deixar de repetir...Chico ao lado da Brabham do amigo...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Moco...


Hoje meu amigo Mauro postou no Face esta foto de Carlos Pace pilotando a Surtees, confesso que não lembrava dela nesta cor, lembrava muito bem quando a dinamarquesa Bang & Olufsen produtora dos excelentes equipamentos de som começou à patrocinar a equipe.
Sempre fui fã incondicional de Moco e Surtees, o brasileiro campeão sem titulo e o inglês campeão nas duas e quatro rodas, a carreira do brasileiro e a equipe do inglês mereciam muito mais!   
Apenas o Mauro não colocou o local e data desta prova, mais tarde vou pesquisar , será que alguém saberia?

Abraços

Rui Amaral Jr 

sábado, 25 de abril de 2015

GP Brasil 1977 - Interlagos

Hoje à noite quando liguei o computador e entrei no Face vejo as três fotos P&B, que vou mostrar abaixo, postadas por meu amigo Claudio Cavallini em meu perfil, tenho tantas coisas à dividir com vocês, um post completo do Paulinho Valiengo um texto ótimo do Adauto sobre uma Mil Milhas e Adalberto "Chupeta" Ayres, um e-mail do Chico como sempre contando algo interessante e ainda aguardo um texto surpresa do Caranguejo, mas confesso que ando um pouco devagar, talvez preocupado com outros assuntos...massss como gosto demais de estar aqui com vocês e apesar escrever desta maneira atabalhoada de sempre, vamos lá!
Um abração aos amigos que com tanto carinho me privilegiam ao dividirem suas memorias, fotos e escreverem neste espaço e um abração à todos vocês que nos honram com sua atenção.



INTERLAGOS 1977
 Na curva Três bateram oito pilotos Mass, Regazzoni, Peterson, Brambilla, Lafitte, Depailler, Watson e Carlos Pace. Foto Claudio Cavallini.


Para muitos um criador de casos nas pistas, para mim um grande piloto, um batalhador, Clay e lá atrás o muro da curva Três onde deixou seu Ensign N177 na 11ª volta. Foto Claudio Cavallini.


No Pinheirinho Carlos Pace lidera Hunt, Lole o vencedor, Mass e Laffite. Foto Claudio Cavallini.
  Emerson o quarto colocado e o Fittipaldi FD04 à frente de John Watson de Brabham BT45 Alfa Romeo.
Carlos Pace com o bico de seu carro destruído após um choque com Hunt na disputa pela ponta na curva Três na sexta volta, ainda lidera Lole, Mass, Mario e Clay na curva da Ferradura.


Interlagos ainda era Interlagos, seu traçado original ainda permanecia intacto, só  com reformas na pista, tínhamos um Bi Campeão Mundial de F.Um e outro grande campão que apesar de ter apenas uma vitória na F.Um e nenhum titulo, sabíamos, esperávamos que sua hora chegaria, infelizmente esta foi sua penúltima corrida na categoria pois logo depois um acidente de avião o levaria junto com seu amigo Marivaldo Fernandes e hoje aquela pista que o consagrou desde muito tempo antes quando pilotava um simples Gordini leva seu nome.

Rui Amaral Jr


    
Fevereiro 1977
coleção digitalizada - link


PS: Ontem como hoje a inépcia de nossos dirigentes se torna cada vez mais clara, em 1977 com um recapeamento mal feito e hoje com a destruição do autódromo para reformas que ninguém sabe onde irão chegar e que deixa milhares de profissionais do automobilismo de braços cruzados! 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Ah se aquele avião não tivesse caído... ‏

E aheee,, Grandalhão? Tudo bem???
Sabe, tem um assunto que é pouco tratado e não sei se no seu blog vc já mencionou ....
Em todo caso lá vai...
Se resolver , gostar ou achar interessante publica pra moçada..Se não fica entre nós mesmo que está tudo bem.

Pace e Marivaldo vencendo em Brasilia.
No museu Chico ao lado do carro do amigo e parceiro em muitas corridas.

E se o avião do Moco junto com o Marivaldo não tivesse caído????

Kyalami

A temporada de 1977 ( que é muito pouco falada e comentada por sinal) seria muito diferente com certeza.
O Lauda poderia ter continuado campeão, mas não ia ter a molezinha que o Andretti , Hunt e cia , deixaram pra ele. 
O Moco com certeza iria vender muuiiitttto caro esse campeonato e quicá não seria o vencedor da temporada , já que depois de ficar pastando todo o ano de 76 em cima do novo projeto da Brabham com o motor Alfa , depois do abandono de Carlos Reutemann no projeto, Gordon Murray passou a respeita-lo e admira-lo como poucos. Sem falar no Tio Bernnie que tinha o Moco como um filho.
O Watson chegou , era rápido  pacas, mas nos treinos da pre temporada tomou um caminhão do Moco. Tb pudera né.. Não tinha como . O homem que fez o carro pô.
Depois do começo pra lá de NERVOSO no GP da Argentina qdo só perdeu a corrida para um fulgurante Scheckter e a estreante Wolf , por causa do calor , Moco e a Brabham estavam com o moral lá em cima.

GP Brasil em Interlagos hoje autódromo José Carlos Pace à frente de Hunt, Lolle...
Já com a frente batida à frente de Reutmann, Mass, Andretti e Regazzoni.
Emerson, Watson e Lauda.
Hunt, Reutmann e Mario na curva da Ferradura.
O passeio no muro da curva Três!


No Brasil depois de uma largada fulminante ( pra muitos ele queimou) , ficou na fatídica curva 3 onde tantos ficaram. E na África que foi a sua despedida o carro deu problema e ele foi um discreto 13º....
Aí veio o intervalo entre um GP e outro , o Moco no Brasil , e ele foi junto com o Marivaldo naquele fatídico voo para acho que comprar um fazenda ou algo do tipo ....E ficamos privados do nosso campeão , no auge da forma. Uma pena.

Agora fazendo um exercício de memória e futurologia ( não sou Nostra Damus , mas dou minhas cacetadas,,,,rsrsrs), e revirando os arquivos aqui da ABPC, vi que SE sempre o SE né, o Moco não morresse, a história tinha sido outra.
A temporada teve um total de 17 GPS.

Kyalami, Pace, Mass, Watson e Mario.
Stuck o substituto.
Hunt.
Gunnar.
Laffite.
Jones.
Jody, Watson, Reutmann, Stuck em Mônaco. 


A Brabham largou na 1ª fila em 10 GPs  com 2 poles do John Watson.A diferença vc vai ver está nos carros da equipe já que Pace largou na 1ª fila na África e Stuck substituto de Pace  largou na 1ª fila nos EUA Leste Watkins Glen.Os 3 pilotos da equipe conseguiram largar na 1ª fila.

A seguir vem a Mclaren que tb largou em 10 GPS na 1ª fila com 6 poles ...Todo o resultado com James Hunt.
A Lotus é a seguinte com 9 vezes na 1ª fila todas com Andretti. E ele foi o piloto que mais vezes fez a pole  7.
Só depois vem a Ferrari com 4 primeiras filas 2 com Reutemann e 2 com Lauda sendo essas duas tb as poles que a Ferrari conseguiu com o austríaco.
Os únicos outros 2 pilotos que se "intrometeram" nesse quesito foram o Jody Scheckter que fez a pole Hockenheim e Laffite que fez o 2º tempo na Espanha.

No outro quesito , volta mais rápida a liderança foi da Lotus com 4 de Andretti. Hunt e Lauda fizeram 3 . Com 2 Watson e Scheckter e com uma Lafitte,Brambilla e Peterson.

Nos GPs ganhos vitória da Lotus  - 5 GPs  4 com Andretti e um com Gunnar Nilson.
A seguir vem a Ferrari com 4 - 3 do Lauda e 1 com Reutemann
Depois a Mclaren com 3 todas com Hunt.
Com 3 tb a Wolf  com Scheckter .
E com 1 vitória cada a Ligier com Jacques Laffite e a Shadow com Alan Jones.

Vc nota aí que a Brabham não ganhou um GP sequer.....Eles estiveram muito próximos de ganhar na Argentina,quando Moco perdeu para o calor e na França quando Watson perdeu na última volta para Andretti.

Gilles x Peterson.
Colin e Mario. 
 Lauda e Mario.
Gunnar no Japão.
Hunt x Mario.



Watson e a bela ultrapassagem sobre Hunt.
Gunnar.

Agora se vc pegar os mapas de corrida vai ver que a Brabham liderou muitos deles. Na Argentina  com Watson e Pace. No Brasil com Pace.Na França com Watson, na Inglaterra com Watson, nos EUA com Stuck.E ainda um porção de vezes entre o 2º e 3º posto.

Largada na Alemanha, Jody foge de Watson, Lauda, Hunt...
Lauda o campeão.

Em cima desses nºs e nºs são frios , a conclusão que se chega é que se aquele fatidico avião não tivesse caído o nosso queridíssimo José Carlos Pace, que sempre andava na frente do Watson , teria no mínimo disputado o título com vitórias e colocações estatégicas. Vc vê por si só que o campeonato foi disputadíssimo e o Lauda foi campeão na regularidade , junto com o Scheckter que tb foi chegador. Hunt e Andretti deixaram escapar entre os dedos a chance de título.

Tite, Pace e Sergio Mattos em Interlagos, hoje autódromo José Carlos Pace.

O Moco com certeza estaria nesse meio ... Uma pena não acha ??????

GRANDALHÃO.....

Abçssss

Ronaldo Nazar. 

Pura coincidência hoje o André mostra a largada do GP da Áustria.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Pace

Vejam que bela foto achei em meus arquivos, digitalizada de uma Quatro Rodas, mostra Moco à frente de Reutemann, Mass, Andretti e Regazzoni , no GP Brasil no belo Interlagos.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Moco na Temporada 1972

Moco e Big John

Desde que comecei a escrever este blog, tenho a sorte de contar com a participação de muitos amigos. Pilotos, preparadores, mecânicos e muito mais. Três deles nunca pilotaram, mas tem um grande conhecimento sobre o esporte, a Graziela, que com a ajuda de seu pai Nelson Rocha e do Ari Moro, escreve mais sobre carreteras, o Caranguejo um enciclopédico e o Carlos, um historiador. Aliás foi o Carlos quem me incentivou a começar o blog, numa época que eu sequer sabia teclar.
Aos três e a todos um forte abraço, aqui vai um texto do Carlos sobre a temporada 1972 de Carlos Pace, ou Moco.

Rui Amaral Jr

A TEMPORADA DE 1972 DE JOSE CARLOS PACE: MUITA LUTA E DIVERSIDADE

Não precisa ser muito conhecedor do automobilismo para saber que 1972 foi o ano daconsagração de Emerson Fittipaldi, quando ganhou cinco grande prêmios, outras quatro corridas de Fórmula 1 e o título mundial, o primeiro dos oito ganhos por brasileiros. No mesmo ano, um outro brasileiro que muitos consideram tão talentoso do que Emerson, lutava para se firmar na Europa: era José Carlos “Moco” Pace. O sucesso de Emerson Fittipaldi dependeu do seu talento, mas também de uma boa dose de “estar no lugar certo, na hora certa”. Pace, por outro lado, fez diversas escolhas na sua carreira internacional, que não foram das melhores, daí a grande diferença entre os currículos internacionais dos dois pilotos. Pace e Fittipaldi faziam parte da mesma geração de pilotos que apareceu em São Paulo no início da década de 60, iniciando carreiras com humildes DKWs e Renaults, logo passando para a poderosa equipe Willys, com passagens na Dacon, Fórmula Vê, etc., até chegar na Europa. Emerson seguiu primeiro, em 1969, enquanto Pace ganhava tudo no Brasil, na Alfa P-33 da Jolly. Moco foi no ano seguinte, obtendo bastante sucesso na F-3. Em 1972, Pace ainda procurava se firmar no automobilismo internacional. Emerson já estava com o passaporte carimbado: piloto da Lotus pelo terceiro ano, desde o início da temporada demonstrou muita velocidade, que resultou no seu primeiro título mundial. Pace, por outro lado, teve uma temporada de muita luta e incrível diversidade.

KG-Porsche da equipe Dacon- Foto de meu amigo Fernando Fagundes
1968 - 2º lugar nas 12 Horas de Porto Alegre, com Bird Clemente. 
Para aqueles que não conhecem muito a história do automobilismo, cabe um parenteses. Na década de 70, os pilotos de Fórmula 1 tinham carreiras bem diferentes dos pilotos da atualidade. Hoje, pilotos de Fórmula 1 só correm na categoria maior: têm exclusividade com suas equipes, e no máximo, participam de corridas de kart beneficentes, fora da temporada. Nos anos 70, os pilotos profissionais ganhavam dinheiro correndo em diversas categorias, o vulgo “starting money”. Muitas vezes nem ganhavam tanto dinheiro assim; mas precisavam correr em diversas categorias para se manter em evidência com o público e os team managers, demonstrando que tinham capacidade de mudar para melhores equipes. Era a fase pré-televisão, lembrem-se. E outra coisa: o sistema era mais impiedoso com as “promessas”. Geralmente um piloto tinha que realmente mostrar serviço nas primeiras duas ou três temporadas, se não era sumariamente excluído da categoria. Carreiras como as de Jarno Trulli e até mesmo de Rubens Barrichelo nunca teriam prosperado nos anos 70. Assim que a temporada de Pace, em 1972, foi o direto oposto da temporada de Emerson. Este correu exclusivamente com carros de uma empresa, a Lotus, na Fórmula 1 e Fórmula 2, e obteve treze vitórias no ano. Pace literalmente ralou, com o saldo de uma única vitória no ano, na penúltima corrida. Mas fez boa impressão na crítica, managers e nos fãs.
1970 F3 - No circuito  inglês de Snertetton de  Lotus 59 Ford/Holbay
 O trabalhoso ano de Pace se iniciou nos 1000 km de Buenos Aires, quando foi contratado para correr com um protótipo AMS. O carro tinha o menor motor entre os carros inscritos, e infelizmente não passou das primeiras voltas. Pace e seu companheiro, o argentino Angel Monguzzi, foram os primeiros a abandonar a corrida. Com o mesmo carro, foi segundo numa prova secundaria em Balcarce.
Em Balacarce, Argentina, com o AMS.
F I, na Willians com o March


Apesar do insucesso inicial, Pace tinha razões para celebrar: pelo menos estaria na Fórmula 1, pois fora contratado como segundo piloto da equipe Williams. Antes de ficar abismado com o feito, notem que a equipe Williams de 1972 estava longe de ser o portento da atualidade. De fato, era uma das três piores equipes da época, às vezes a pior, correndo com carros March. O carro de Pace não seria nem daquele ano: correria com um March 711, modelo que fizera boa temporada em 1971. 
A estréia de Pace se deu no GP da África do Sul em 4 de março. De cara ficou óbvio que as coisas não seriam fáceis: Pace só conseguira ser mais rápido do que Rolf Stommelen, com o péssimo Eifelland-March, e do rodesiano John Love, que quase ganhara o GP da África do Sul de 1967, mas que faria a sua última aparição na prova africana. Na corrida Pace procurou não se exaltar, aprender mais sobre o carro e chegou em 17°, e último, lugar. Não foi um início muito auspicioso, mas cabe lembrar que na sua estréia na F-1, Emerson largara na última fila, com a Lotus de fábrica e ao lado de Graham Hill!

Largada do  GP do Brasil em Interlagos, Moco na segunda fila.

26 dias depois, um sonho se realizava para os brasileiros: a primeira corrida de Fórmula 1 no país, prova na qual os organizadores brasileiros pretendiam demonstrar estar preparados para inclusão no calendário oficial de 1973. Só doze carros vieram, com 4 BRM e 4 brasileiros na pista. Além de Emerson e Pace, Luis Pereira Bueno e Wilson Fittipaldi Júnior também participaram. Apesar de ter largado na frente do seu companheiro Pescarolo, com carro mais novo, Pace não teve uma grande performance: largou em 7° e abandonou na segunda volta.
Moco no Pigmée F2
Além de correr na F-1 com a Williams, Pace fechara negócio para correr na F-2 na equipe francesa Pygmée. Com patrocínio do Banco Português do Brasil (que também o patrocinava na F-1) Pace faria parte de uma equipe que incluía o filho do dono, Patrick dal Bo, e o também brasileiro Lian Duarte. Infelizmente, a aventura Pygmée foi mal sucedida. Já há alguns anos tentando obter sucesso nas Fórmulas 3 e 2, a bem intencionada Pygmée só conseguiu colocações intermediárias na sua história. Embora inscrita, a equipe já começou faltando à primeira prova do ano, que não era válida para o Campeonato Europeu, mas sim para o John Player (Campeonato Inglês). Entretanto, a écurie compareceu à primeira etapa do Europeu, em Thruxton, e pode até ser que Pace e Lian tenham achado que fizeram excelente negócio: Dal Bo chegou em 4°, e visto que havia dois pilotos graduados na sua frente, levou os pontos do 2° lugar: de longe a melhor performance da história da Pygmée na F-2! Entretanto, ambos os brasileiros se envolveram em acidentes antes de completar a primeira volta na final na pista inglesa, embora Pace tenha liderado na sua bateria, um feito de grande magnitude, considerando o fabricante do bólido.
A próxima etapa do Europeu foi em Hockenheim, Alemanha, e a sorte de Pace não mudou: outro abandono, embora tenha conseguido completar 12 voltas desta feita. 
Em Jarama no GP da Europa

A próxima corrida de Pace foi o seu primeiro GP europeu, na Espanha, e aqui começou a mostrar que tinha futuro. Apesar do carro velho e fraca equipe, Pace largou em 16° lugar e chegou em 6°, obtendo o seu primeiro ponto na categoria maior do automobilismo. A corrida também marcou a primeira vitória de Emerson em 1972.
Em Pau, outra decepção com o Pygmée. Embora tivesse se classificado para a corrida, não largou. Curiosamente, Pace conseguira marcar pontos na F-1 antes de marcar na F-2, pois mesmo no ano anterior também não conseguira marcar pontos no Campeonato Europeu!
No dia 14 de maio, Pace participou do seu primeiro GP de Monaco. Essa corrida ficou conhecida pelo imenso temporal que se debateu sobre o principado, pela única vitória de Jean Pierre Beltoise e última vitória oficial da BRM na F-1. A corrida também foi transmitida pela Rede Globo, que já começava a se animar com a F-1. Para Pace as coisas não foram bem. Largou em penúltimo, só na frente de Stommelem, e chegou em 17°, a 8 voltas de distância de Beltoise.
A Pygmée fez forfait novamente na próxima corrida da F-2: nenhum Pygmée MDB17 foi para a última corrida a ser realizada no circuito londrino de Crystal Palace. Fecha-se um cicuito, abre-se outro. Assim, o próximo GP se realizou no novo circuito belga de Nivelles, em 4 de junho de 1972, e de novo a estrela de Pace brilhou. Nos treinos, marcou o 11° lugar, ficando na frente de 3 BRM, dos dois March de fábrica (Peterson e Lauda) e de Chris Amon, com a Matra, além de outros carros. Na corrida Moco manteve-se sempre entre os primeiros colocados, e na prova chegou em 5° lugar, ganhando mais dois pontos, e tornando-se piloto graduado após 4 corridas. (Naquela época, os pilotos que obtivessem dois resultados entre os seis primeiros em duas corridas de F-1 no mesmo ano, se tornavam “graduados”). Apesar do sucesso na F-1, na F-2 ficava óbvio que a escolha de equipe fora errada. Em uma segunda etapa realizada em Hockeinheim, a Pygmée de novo não levou carro para Pace (mas Dal Bo lá estava) e a paciência dos brasileiros começava a se esgotar.
Pace na Ferrari 312P - Foto de meu amigo Joel, de 1973 em Nurburgring.
No dia 25 haveria outra prova de F2, em Rouen, mas Pace tinha coisas melhores para fazer: fora contratado pela Ferrari para correr nos 1000 km de Oesterreichring, na Áustria. Nessa corrida, a Ferrari que já ganhara todas as corridas das quais participara, inscreveu 4 carros. Pace foi escalado para correr com o austríaco Helmut Marko. A dupla marcou o 5° tempo nos treinos, e fez excelente corrida, chegando em 2° lugar, só atrás de Ickx/Redman, e na frente de dois outros carros da Scuderia. O Porsche 908/2 da equipe Hollywood também disputou esta corrida.
De volta na F-1, no GP da França, Pace teve boa performance nos treinos em Clermont-Ferrand, longo circuito montanhoso que seria usado pela última vez na F-1: marcara o 11° lugar. Na corrida o motor falhou, e Pace abandonou. Esta corrida foi curiosa por duas razões: o azarado Chris Amon, com a Matra, marcou o melhor tempo nos treinos, e estava milhas na frente do segundo colocado quando uma pedra furou um dos seus pneus. Trocou o pneu e voltou com tudo, marcando a volta mais rápida e chegando em terceiro. Seria a última grande oportunidade de Amon ganhar um GP. As mesmas pedras que acabaram com a corrida de Chrissy, cegaram Helmut Marko, austríaco que estava crescendo bastante no automobilismo. Além de ter ganho Le Mans em 1971, Marko tivera excelente desempenho na Targa Florio de 72, além do segundo lugar na Áustria com Pace. Nesse GP, largou na sua melhor posição, 5°. Foi o fim da sua carreira como piloto, mas continuou no esporte como dono de equipe e empresário de pilotos.
A próxima etapa do Europeu de F-2 foi na mesma pista de Osterreichring onde Pace teve excelente desempenho no Mundial de Marcas. Infelizmente, o fraco Pygmee não lhe possibilitou classificar-se para a largada e assim terminou a associação de Pace com a fraca equipe gálica. Em contrapartida, Emerson largou na pole, fez a melhor volta e ganhou a corrida em grande estilo.
O próximo GP foi o da Inglaterra, e Pace de novo teve boa posição na largada, 13°. Na corrida chegou a estar em 9° lugar, mas a transmissão falhou, e Pace abandonou.
Pace no Gulf Mirage
Pace foi convidado pela equipe Mirage para fazer dupla com Derek Bell na última corrida do Mundial de Marcas daquele ano, em Watkins Glen, estado de Nova York. Pace mostrou adaptar-se rapidamente a bons carros, e nos treinos e na corrida a dupla obteve um excelente 3° lugar. Isso foi suficiente para que a Ferrari o contratasse para a sua equipe de protótipos do ano seguinte. Bell viria a ser um dos principais pilotos de carros esporte da história.
A próxima etapa da F-1 seria no difícil circuito de Nurburgring. Apesar de nunca ter corrido no dificílimo autódromo, Pace não fez feio nos treinos: 11° lugar. Na corrida, as coisas foram diferentes. Com problemas, o velho March fez 3 voltas a menos do que o vencedor Ickx, e Pace não obteve classificação, apesar de estar na pista no final da prova.
Após diversas semanas correndo direto, Pace teve algumas semanas de descanso, só voltando a correr no GP da Áustria, sua terceira prova em Osterreichring no mesmo ano. Dessa feita largou em 18° e de novo terminou com voltas insuficientes para se classificar: 8 voltas atrás. Entre outros problemas, Frank Williams teve em Henri Pescarolo um desastrado piloto n° 1. Pescarolo destruiu diversos chassis no curso do ano, em inúmeros acidentes, algo terrível para uma equipe sem recursos como a Williams. Isso sem dúvida fez com que o próprio desempenho de Pace piorasse com o passar do ano, pois a equipe tinha de concentrar em consertar os carros de Pesca.
Pace na Surtees TS14, atrás François Cevert de Tyrrel
Em Enna, Pace já estava de equipe nova na F-2: a Surtees. Sem dúvida, 1972 foi o melhor ano da Surtees. Além de ser campeã na F-2, foi nesse ano que a equipe obteria sua melhor colocação em uma prova oficial de F-1 (2° no GP da Itália, com Hailwood), além de ganhar também o Campeonato Europeu de Fórmula 5000 com o holandês Gijs Van Lennep. A escolha de Pace foi boa, exceto que 1972 foi o absoluto auge da Surtees, que daí por diante só viria piorar, em todas as categorias. Sua estréia na equipe na F-2 resultou em outro abandono, por problemas de motor.


Com o Shadow

Logo após Enna, Pace embarcava em uma nova aventura, exclusiva entre os brasileiros: participação na série Can Am nos Estados Unidos. A Can Am rivalizou em prestígio e performance até mesmo com a F-1. Tratava-se de uma série de carros esportes com regulamento liberal, que resultava, entre outras coisas, em motores de mais de 8 litros, introdução dos aerofólios, aspiradores com efeito aerodinâmico, turbo compressores etc etc. Em 1972 a milionária série já não gozava de tanto prestígio como nos anos 60, mas ainda tinha certa repercussão no automobilismo mundial, principalmente com a chegada das poderosas Porsche 917 Turbo. Pace foi contratado para fazer algumas corridas pela Shadow, equipe que no ano seguinte entraria na F-1. A primeira corrida, em Road America, resultou em abandono.
 Com o Surtees TS Cosworth/Hart da F2

Mas sua segunda prova na Surtees, em Salzburgring, teve um belo resultado: 2°, após marcar a pole position. Em 1° na corrida ficou Hailwood, que assim se aproximava do título. Essa foi a última prova de Pace no Europeu de F-2 daquele ano, portanto, um final feliz de um ano que parecia destinado a atropelos
As performances de Pace nos treinos já não estavam grandes coisas na F-1: largou em 18° em Monza, mas por incrível que pareça foi o March melhor colocado na largada; largou inclusive na frente do vice-campeão Peterson e do futuro campeão Lauda. Na corrida teve acidente na 17a. volta, assim abandonando. Foi nessa corrida que Emerson Fittipaldi se sagrou campeão mundial.
Após a Itália, Pace voltou para as Américas, para outra prova de Can Am, desta feita em Donnybroke, Minnesota. Outra vez seu Shadow Chevrolet abandonou nas primeiras voltas da corrida ganha por outro piloto de Fórmula 1, François Cevert.
As duas últimas provas de F-1 se realizavam na América do Norte: Canadá e depois Estados Unidos. No Canadá, Pace largou em 18° novamente, mas conseguiu se classificar em 9° lugar, apesar de não estar correndo no final da prova.
Entre o GP canadense e americano, ocorreu a prova da Can Am em Edmonton, Canadá. Ali Pace teve um melhor desempenho, chegando em ótimo quarto lugar após os três principais protagonistas do campeonato, Mark Donohue, Denis Hulme e George Follmer. Esta foi a última corrida de Pace na Shadow, que terminou o campeonato com um único carro para Jackie Oliver. Este haveria de ganhar o título em 1974, com a série já em franca decadência.
31 carros foram inscritos no GP dos Estados Unidos. Devido aos altos prêmios pagos na corrida, diversas equipes de ponta inscreviam 3 carros. Além disso estava presente a mal sucedida armada da BRM com 4 carros, e alguns pilotos americanos, com Sam Posey e Skip Barber. Pace conseguiu largar em 15°, de novo o March mais rápido (apesar de ser o mais antigo). Na corrida teve falha do injetor, ocasionando outro abandono.
Ainda se realizou uma outra prova de F-1 no ano, em 22 de outubro, o John Player Trophy em Brands Hatch. Deveria ser uma festa para Emerson, mas terminou mal para ele. Apesar da fácil pole, Emerson acabou abandonando. Mas a prova seria a estréia de Pace na Surtees, sua nova equipe na F-1. Frank Williams queria ficar com Pace, mas obviamente tinha pouco a oferecer. Certamente a escolha de Pace fora acertada, pois os Iso-Marlboro usados por Williams no ano seguinte foram uma das grandes piadas do ano – até o Ensign teve melhor desempenho. Comparativamente o Surtees TS-14 era um bom carro, mas infelizmente, uma corrida extra-campeonato de fim de ano era uma coisa: o campeonato de F-1 outra. Pace chegou em 2° em Brands, logo após Jean Pierre Beltoise, e na frente de outro Surtees, do italiano Andrea de Adamich. O calendário internacional de 1972 terminaria no Brasil, com a segunda temporada internacional de F-2. Esta acabou tendo 3 rodadas (algumas pré planejadas foram canceladas), todas em Interlagos. Alguns dos melhores pilotos da F-2 vieram para a série de corridas no Brasil, inclusive o campeão Hailwood, e o vice-campeão Jassaud; o piloto de F-1 Clay Regazzoni; o futuro campeão de mundo James Hunt, que viria a fazer furor na F-1 em 1973; e a equipe Rondel, com o campeão de F-2 de 1971 Ronnie Peterson, Tim Schenken, Bob Wollek e Henri Pescarolo. Entre os brasileiros, estariam presentes os três da F-1, Emerson, Pace e Wilsinho, além de diversos outros com carros alugados: Pedro Victor de Lamare, Lian Duarte, Chico Lameirão e Silvio Montenegro. O último foi obviamente muito otimista. Piloto de pouco pedigré no próprio Brasil, acostumado a pilotar fuscas, Montenegro obviamente tinha superestimado sua capacidade. Não brilhou, e de fato, desapareceu do automobilismo depois disso.

A primeira etapa se realizou em 29 de outubro, e o resultado não foi bom para Pace. Abandonou com problemas de motor na 2a. volta da primeira bateria, e não voltou para a segunda. Na segunda corrida, em 5 de novembro, Pace teve um desempenho excelente, ganhando as duas baterias e a geral. Acabou sendo a sua única vitória do ano, e segunda na F-2 (ganhara em Imola em 1971, prova extra campeonato). A terceira etapa se realizou em 12 de novembro. Pace fez a pole position, mas teve problemas na primeira bateria e terminou em 16°. Na segunda bateria, comprovou todo o seu potencial da primeira bateria, ganhando com três segundos de vantagem sobre seu companheiro de equipe, Mike Hailwood, que acabou ganhando na geral. Pace também marcou a volta mais rápida. Na soma dos tempos ficou em 8°. Resultados completos do torneio
Assim terminava a árdua temporada de Pace. Não somente estreara na F-1, mas também no Campeonato Mundial de Marcas e na Série Can Am. Dirigiu diversos carros durante o curso do ano, nos dois lados do Atlântico, mas não obteve o sucesso esperado na F-2. Entretanto, o futuro parecia sorrir para Pace, não na forma em que sorriu para Fittipaldi – as coisas pareciam se realizar com mais dificuldades para ele, mas eventualmente aconteciam.
Carlos de Paula

J.C. PACE, PILOTO

Link para post do Caranguejo sobre Pace

Algumas belas fotos de Pace em outras épocas.

Vencendo o GP Brasil 1975 em Interlagos




 Em Nurburgring, pouco antes do acidente de Lauda

 Em Interlagos à frente de Mario e Ronnie

 Vencendo o Torneio Maverick


No podium em Monza, com Stewart e Ronnie