A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Orlando Panetti & Kitty Fabri




Graziela

Estou entrando em contato, pois fiz um comentário em uma postagem do seu blog sobre a piloto Kitty Fabri. HISTORIAS QUE VIVEMOS: Uma Mulher na Largada - Parte final (link)

 É muito difícil vermos qualquer referência a ela em qualquer ponto da internet e pesquisando no google achei a sua. 
Meu avô participou por algum tempo da história tanto dessa piloto, quanto da nossa história do automobilismo e gostaria muito se possível que vc o colocasse junto de seus antigos colegas na postagem que fez.
Estou mandando a cópia do jornal A Gazeta Esportiva de 20/09/1948 para que vc utilize a imagem se puder e se precisar de uma cópia melhor darei um jeito de fazer.
Meu avô se chamava Orlando Panetti e era o mecânico da Kitty Fabri em 1947 e 1948, já em 1949 ele não pode ir mais participar, pois havia casado e voltado de São Paulo para São José do Rio Pardo SP e não foi mais permitido pela esposa de participar das corridas, achando que seria arriscado.
Acredito que a imagem que estou mandando possibilitará que leia a matéria, mas mesmo assim se quiser te mando a transcrição.
Só tenho algumas páginas do jornal, mas é a parte que importa, já tentei com a fundação Cásper Líbero uma nova cópia completa, mas eles cobram por hora de pesquisa nos arquivos e não garantem que encontremos.

Grande abraço!

Roberto Panetti



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Primeiro 500 Km de Porto Alegre - Circuito da Pedra Redonda - 1958


Amanhece o domingo, vento minuano havia dado trégua, para esta que seria a primeira prova dos 500 Km de Porto Alegre que se tornaria um clássico do automobilismo gaúcho.
A cidade estava movimentada com porto-alegrenses e o público vindo da região e outros Estados.
Os ânimos exaltados, adrenalina em alta, agitava e muito os pilotos, mecânicos e preparadores. Seria o primeiro, grande e belo confronto entre os paulistas e gaúchos após os incidentes da final das Mil Milhas Brasileiras de 1957. E ainda com a participação dos ‘hermanos’ exímios pilotos argentinos e uruguaios o que só engrandeceria esta.
De São Paulo vieram os pilotos Camillo Christófaro, Celso Lara Barbéris, Chico Landi, José Gimenez Lopes e Luiz Margarido.
Os gaúchos que participaram, Aristídes Bertuol, Catharino Andreatta, Ítalo Bertão, José Asmuz, Nacticvo Camozzato, Orlando Menegaz entre outros.
Os argentinos Juan Galvez e Felix Peduzzi e o uruguaio Rômulo Buonavoglia entre outros.
Os treinos de sábado foi de muita emoção e tristeza, o piloto José Gimenez Lopes, bateu em uma árvore destruindo sua Chevrolet N° 82 tirando também Chico Landi.
A prova consistia em 40 voltas no Circuito da Pedra Redonda. A largada foi às 8h e 45min, com Barbéris na ponta, sendo logo ultrapassado por Orlando Menegaz, fazendo a segunda volta com média de 140 km/h, em sua cola Juan Galvez e Aristides Bertuol. Que superou com maestria Galvez, dando início a um duelo entre os gigantes gaúchos com suas possantes Chevrolet/Corvette N° 24 e N° 4.
O ritmo forte fez com que Menegaz abandonasse a prova na 25ª volta, com problemas no diferencial. Os pilotos que já se encontravam fora desta eram Galvez, Barbéris, Christófaro, Catharino, Felix e Menegaz.
Peduzzi capotou na Praça da Tristeza, saindo também da prova, mesmo assim teve muita sorte pois não teve nenhum ferimento.
Nactivo Camozzato, que vinha em segundo lugar, assumiu a liderança da prova ultrapassando Bertuol que tentou alcançar Camozzato, na 26ª volta Bertuol, perde o controle de sua carretera N° 4, batendo forte em uma árvore e ficando entalado entre duas outras, na rótula da Caixa d’Água de Ipanema. Camozzato conquistou a vitória com bravura.
A prova que iniciou com 19 pilotos, acabou com apenas 6, se tornando num festival de carreteras quebradas e acidentes. O Circuito da Pedra Redonda exigia muita habilidade dos pilotos e resistência das máquinas.

Curiosidades sobre esta prova:

- Aristides Bertuol com sua Chevrolet/Corvette N. 4, que tinha câmbio de quatro marchas para frente e a ré embaixo, como se fosse um afogador, ao ser dada a largada não viu que estava com a ré engatada e largou de marcha ré. Por sorte não bateu em nenhum concorrente, mas teve de ser dada uma segunda largada;
- Aristides Bertuol e Orlando Menegaz, cada um com sua respectiva Chevrolet/Corvette , apostaram Um Milhão de Cruzeiros para ver qual deles seria o vencedor. Quando Daniel Winik e outros pilotos ficaram sabendo rasgaram o cheque, pois isto levaria-os a pilotarem em extrema alta velocidade que poderia ocasionar grave acidente.


Agradeço ao amigo Rui Amaral Lemos Jr. pelo convite para escrever sobre esta tão importante fase do automobilismo gaúcho. A Fabio Poppi que nos presenteou com as fotos e a Carlos de Paula que nos apoiou. Aos amigos Daniel Winik, único piloto passo-fundense de carretera, ainda vivo e meu pai, Nelson Marques da Rocha, ambos enciclopédias vivas que me auxiliaram neste.

Graziela Marques da Rocha
Passo Fundo-RS

Cantando o Hino Nacional - antes da largada
Momentos antes de alinharem

Largada
"Cupecita la Galera" dos argentinos hermanos Dante e Torcuato Emiliozzi
 Carretera Ford N. 52


Ford 1 e Juan Galvez a direita
Chevrolet N. 3 de Peduzzi
 Ford N. 18, a Gilda, de Nicanor Ollé
 Ford N. 30 e ao fundo Ford N. 53 de Buonavoglia
 Chico Landi e Celso Lara Barberis
 Carretera Ford N. 6 com Camozzato a esquerda
 Ítalo Bertão que correu com a Ford N. 48 de Daniel Winik
Orlando Menegaz com sua carretera Chevrolet/Corvette N. 24
 Aristides Bertuol com sua Chevrolet/Corvette N. 4
Buonavoglia com sua Ford N. 53 
Carretera Chevrolet N. 16 de João Galvani
 Diogo Ellwanger com sua Ford N. 22 - descida para a curva da Pedra Redonda

 Rótula da Caixa d'Água
 Saída da Praça Tristeza, Bertuol com sua Chevrolet/Corvette N. 4 atrás de Menegaz com sua Chevrolet/Corvette N. 24
Camozzato com sua Ford N. 6

Carretera Chevrolet N. 82 de Chico Landi
NT: Quem está ao lado parece se José Gimenez Lopez

Quadriculada vai para... 
Aldo Costa com sua Ford N. 12 - ao completar a prova

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Aproveito para mostrar novamente o vídeo dos  500 KM de Porto Alegre de 1962, que recebi de meus amigos Nelson e sua filha Graziela Marques da Rocha, editado e disponibilizado no You Tube  por meu amigo Fernando Fagundes.



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Interessante, hoje ao abrir a pagina de estatísticas do Historias mais de 10 visitas a este post. 
Foi a primeiro post da sempre competente Graziela, nas fotos que eu havia recebido do Fabio Poppi.
São  fotos antológicas de nosso automobilismo, de uma época de raça e pilotos privilegiados, que corriam com dificuldades e amor ao esporte.
Com este post, me aproximei de alguns amigos do Sul, entre eles o sempre presente Caranguejo e Leandro Sanco que em seu ótimo blog, conta muitas das historias do automobilismo.
À Graziela, Nelson, Fernando e Fabio meu muito obrigado, e um forte abraço!


Rui Amaral Jr

Post original de 13 de Julho de 2009




sexta-feira, 8 de junho de 2012

Danilo Julio Afornali por Ari Moro

Para meus amigos Fabiani e Contreras



"Se considerarmos que esse cidadão lida com mecânica de motocicletas há nada menos que 53 anos, período durante o qual foi mecânico, preparador e piloto, podemos afirmar tranquilamente que ele - Danilo Julio Afornali, curitibano do Bigorrilho, sete vezes Campeão Paranaense de Motociclismo entre 1959 e 1971 - é um "Doutor em Motos". Quem visita sua "clínica de motores", agora no bairro de Santa Felicidade, pode notar, nas paredes, as marcas da sua trajetória motociclística em forma de troféus, diplomas, certificados e fotografias de corridas esquecidas no tempo e, no seu peito e braços, as marcas deixadas por um cabo de aço, fruto de acidente. Lá está ele, cigarro pendendo dos lábios, trabalhando ainda com as motos.
Filho de Paschoal e Lucietta Gans Afornali, Danilo começou a lidar com motocicletas em 1950, com 15 anos de idade, quando seu pai adquiriu uma CZ deste mesmo ano. "Minha primeira corrida de moto - conta Danilo - foi na pista de terra do Itaim, na cidade de JoinvillejSC, com uma CZ pertencente ao curitibano Boguslavo Sunn e preparada por nós dois no porão da casa onde ele moravá. Fiz terceiro lugar depois que a bóia do reservatório de gasolina do carburador furou. Era difícil ganhar dos catarinenses naquela pista, mas, fiquei animado com o resultado obtido e comecei a acreditar em mim mesmo."
Quem não se lembra da pista oval de corrida de cavalos do Jockey Club no bairro do Prado Velho, que depois foi transformada em pista de corrida de motos, em Curitiba? Numa corrida ali, com uma BSA 500 Twin pertencente a Manoel de Alencar Guimarães (Noel), Danilo fez segundo lugar, chegando em primeiro Ferdinando Batschoven, com uma Triumph 500. Na pista de Interlagos, em São PaulojSP, em 1971, Danilo participou das 500 Milhas com uma Ducatti 350, fazendo quinto lugar.
Ainda em Interlagos, na saudosa época das corridas de lambretas (reunindo marcas tais como Lambretta, Vespa, Iso) Danilo participou de uma prova com duas horas de duração, pelo antigo traçado de 8 quilometros de distância. Sua lambreta, carenada, havia pertencido aos famosos irmãos Gualtiero e Paolo Tognochi, tidos como os maiores cobras brasileiros da época no preparo dessas máquinas de 150cc. Danilo saiu na frente de mais de 30 competidores e assim permaneceu até quase o final da corrida, quando, no final da grande reta oposta de Interlagos, furou um pneu e levou um tombo, desistindo.
É bom lembrar que essa lambreta, com rodas, chassi, tanque de combustível, tudo feito em São Paulo/SP, foi recordista de velocidade na pista de Interlagos/SP. Com ela, Gualtiero Tognochi venceu a inesquecível corrida de lambretas entre Curitiba e Ponta Grossa.


O preparo de máquinas para outros pilotos, entre eles Ubiratan Rios, que foi duas vezes Campeão Brasileiro de Motociclismo e uma vice-campeão, sempre foi uma especialidade de Danilo. Em 1982, preparou uma Yamaha TZ 350 (máquina do então campeonato mundial de motociclismo categoria 350) para Bira correr e foi com ele à Argentina participar de prova do mundial. Fizeram nono lugar entre 33 pilotos e Bira terminou a prova com a embreagem danificada.

"A corrida que lembro com mais saudade e emoção - fala Danilo - foi aquela em que, pela primeira vez, um paranaense conseguiu vencer os catarinenses na pista do Itaim, em Joinville. Eles eram imbatíveis lá. Foi em 1962, quando preparei e pilotei uma HRD Vincent 1000cc."
Danilo sempre participou de grandes provas. Em 1976, juntamente com Ubiratan Rios, o conhecido Az do Motociclismo brasileiro Bira, colocou na pista de terra de Joinville uma Yamaha RS 125cc com kit de competição, participando de uma prova de 6 horas de duração. "Fizeram uma sacanagem para nós - conta ele - pois, até 10 minutos antes do término da prova estávamos em primeiro lugar. Daí para a frente os fiscais de pista "se perderam" na contagem das voltas e acabaram por nos classificar em terceiro lugar, dando o segundo ao catarinense Lucílio Baumer, que não aceitou, dizendo que só aceitaria se eu e Bira fossemos considerados os vencedores. " Essa foi a sua derradeira corrida.


Praticamente todas as máquinas antigas existentes no Brasil passaram pelas mãos de Danilo: Ducatti, HRD, Triumph, BSA, Indian, CZ e outras. Como todo verdadeiro motociclista tem uma história triste para contar, Danilo também tem a sua. Em 1967, no Dia das Mães, pegou sua HRD Vincent 1000cc bicilíndrica e foi dar uma volta na Rodovia do Café. Pouco antes do Parque Barigui, em frente a um posto de combustível, notou um caminhão FNM da cidade de Toledo/PR de um lado da pista e outro no pátio do posto. Diminuiu um pouco a velocidade e foi se aproximando, pensando que um caminhão deveria estar manobrando para entrar no pátio do posto e que o outro estava saindo do estabelecimento. No entanto, vendo que os caminhões não se movimentavam, achou que os motoristas dos veículos estavam esperando que ele passasse. Acelerou novamente a HRD e quando praticamente não havia tempo para mais nada, apavoradamente viu que havia um cabo de aço esticado por sobre a pista, unindo os caminhões. "Meu único reflexo foi cortar o acelerador. O cabo atingiu-me no peito e braços e por milagre não subiu, pois, caso contrário eu teria sido degolado. Fui arremessado a distância e a motocicleta seguiu em frente desgovemada, tombando de lado na altura da ponte do rio Barigui. Hospitalizado, Danilo recuperou-se mas, as marcas do acidente ele as carrega até hoje.
Sua primeira oficina mecânica foi montada em 1958, no Bigorrilho, num terreno próximo onde hoje está a Igreja dos Passarinhos. Embora tenha boas lembranças do seu tempo de piloto, Danilo diz que o seu trabalho como mecânico profissional de motocicletas não proporcionou muita compensação. "Um piloto de motos tem que gostar mesmo do metier e ter coragem. Pilotar motocicleta não é para qualquer um".
Casado com a senhora Marisa Rangel Afomalli, Danilo tem três filhos: Marco Aurélio, Marcia Regina e Marcelo Eduardo. Ele é, na verdade, além de famoso preparador de motores de competição, um dos mais importantes pilotos de motocicleta, ao lado de Ubiratan Rios e Nivanor Benardi, que o Paraná já teve. Seu nome está marcado com destaque numa página do livro que conta a história do motociclismo de competição brasileiro. " Ari Moro

Dos exemplares do jornal "CHEIRO DE CANO DE ESCAPE" que o jornalista Ari Moro me presenteou , retiro várias pérolas escritas por ele . Ari que escreve sôbre automobilismo , motociclismo , aviação etc etc sempre com a mesma emoção e personalidade . Leio e releio sempre seus artigos , tentando tirar proveito de suas verdadeiras aulas de jornalismo .

"CHEIRO DE CANO DE ESCAPE" nº 07 Agosto de 2003

Obrigado Ari e um abraço
.

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Post original de 12 de Setembro de 2009




quinta-feira, 7 de junho de 2012

MIL MILHAS BRASILEIRAS 1956 - A QUASE VITÓRIA DE UM FUSQUINHA


 Na edição nº 4 de seu jornal, Ari Moro ao contar da participação de Germano Schlögl nas Mil Milhas Brasileiras de 1956, cita o VW em que correram Eugênio Martins e Christian Heins como um fusquinha original. Pesquizando depois, Ari com a ajuda de Paulo Trevisan, que consultou ninguem menos que Jorge Lettri o preparador do carro que lhes deu o seguinte depoimento.



" Referente ao VW nas I Mil Milhas Brasileiras -Interlagos/SP - 25/11/56 

Pilotado por ChristianHeins e Eugênio Martins e devidamente preparado em minha firma de então - Argos Equipamentos - tenho o seguinte a comentar :
1) A performance apresentada pelo fusquinha número 18 nessa dura prova , constituiu-sa no maior feito esportivo mundial de um veiculo VW até aquela data e , muito em especial em toda a América Latina !

Largada das Mil Milhas Brasileiras - 1956 - Christian e Eugênio entre as "feras"

No miolo de Interlagos, a tocada de dois grandes pilotos!

A chegada, braço levantado quase uma vitória!

2) Devido aos detalhes de momento, as condições externas foram mantidas quase que inalteradas ao original, o que publicitáriamente deram uma gigantesca penetração ao fato em si! Observe-se que nem o automático rebaixamento das suspensões foi introduzido no caso, isso mesmo em detrimento à perda de performance em curvas, detalhe tão necessário nesse tipo de disputa em autródromos como o de Interlagos!
3) A potência do motor 1500cc - Porsche 1.5 - bloco original VW de duas partes, de acordo com o regulamento conhecido - veículo e bloco do motor da mesma marca - fornecia uma potência de 74CV-Din, número esse idêntico a qualquer motor de série dos atuais 1000cc de produção nacional. Nunca, entretanto, esquecendo que disputávamos a prova contra as decantadas carreteiras do Rio Grande do Sul, equipadas com motores de 5000/6000cc!
4) Ao carro em pauta não foram introduzidas modificações básicas importantíssimas em competições, tais como: rodas - aro, pneu e medidas, sendo os aros utilizados em 15x4.5" e pneus 5.60x15" de construção diagonal ¬Spalla di Sicurezza. Enfim, pior que isso não seria possível!
5) Deve ser dada uma nota muito especial ao sistema de refrigeração do óleo lubricicanate do motor, que por sinal sempre constituira-se
na maior dificuldade dos motores refrigerados a ar em competições. Foi adotado no caso o sistema de carter seco, incorporando um radiador dianteiro. Para tal, foi elaborado um capô especial em fiberglass com bocal apropriado, de autoria do engenheiro João Amaral Gurgel, sendo essa a primeira peça produzida por ele na área automotriz!
6) Durante boa parte da prova o VW-18 ocupou a primeira posição, infelizmente perdeu-se a ponta pela simples quebra de um cabo de acelerador; porém ainda. chegou-se em segundo lugar na final!"
CHICOLANDI
Mais adiante, em sua resposta, Lettry comenta: "Fato curioso: alguns dias antes da prova, um bom amigo e eu achavamo-nos no apartamento da família Fittipaldi, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, para um daqueles "papos intermináveis" com o velho Barão, ainda com cabelos negros, quando repentinamente aparece por lá para o mesmo fim, o mais destacável piloto nacional até aqueles idos dias. Chico Landi! Naqueles tempos as palavras do famosíssimo "Chico Miséria" em matéria de mecânica esportiva faziam realmente tremer as paredes. Referindo-se a nós e ao pequeno veículo em baila, com aquela voz surda e bem característica sua, ele declara assintosamente: "no meio da corrida já vou começar a cortar a barba, pois já estará comprida prá burro!"
Pois bem: no meio da prova, quando já ocupávamos a liderança, o famoso personagem aparece em nosso box para dar uma daquelas típicas "abelhadas,,'na casa dos outros. Diante dessa extrema curiosidade, perguntamos então a ele: "como é seu Chico, já começou a cortar a barba?" Meio aos murmúrios e palavrões, •Iá se foi ele que era o grande piloto brasileiro de todos os tempos anteriores, como uma fera ferida em seu pleno orgulho! Simplesmente mais um fato cômico de nosso conturbado automobilismo. Só isso!".

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NT: Em 10 de Agosto de 2009 publiquei este post com matérias do jornal "CHEIRO DE CANO DE ESCAPE" de meu amigo Ari. Dele recebi os jornais a autorização e o privilégio de divulgar todo seu material. 
Ao Ari meu forte abraço, assim como à Graziela Rocha e seu pai Nelson, que a ele me apresentaram.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Paulo Buso

Na semana passada minha amiga Graziela mostrou aqui um texto do Ari Moro noticiando o falecimento de Celestino Jacó Buso o Panseca. Abaixo um post de 28 de Julho de 2009 onde o Ari conta um pouco da história da família Buso mostrando Paulo um dos irmãos.

Aos meus amigos Ari Moro e Nelson Marques da Rocha, testemunhas dessa época maravilhosa meu muito obrigado, carinho e amizade. Com eles a Graziela e eu podemos conhecer e mostrar a todos muito sobre esses grandes pilotos que escreveram páginas tão belas de nosso automobilismo. 


Rui Amaral Jr

    

CHEIRO DE CANO DE ESCAPE

Recebi do jornalista Ari Moro alguns exemplares do jornal " CHEIRO DE CANO DE ESCAPE " excelente , lá ele escreve sobre diversos assuntos , antigomodelismo , aeromodelismo ,motociclismo , enfim um jornal completo onde ele mostrava toda sua competência .

Neste artigo ele mostra a "carreteira " de Paulo Buso , vencedora da prova Centenário de Curitiba , vencida por ele em sua corrida de estreia em 11 de Outubro de 1953 .

Sua carreteira Ford era equipada com um motor Mercury 1951 , com coletor para três carburadores , tampa de válvulas Edelbrook , cambio de três marchas e diferencial do Lincolmn Zephyr , totalmente rebaixada . Para esta corrida levava como co-piloto Reinaldo Tomasi cujo apelido era " Chupa Ovo ".

Eis o relato da corrida de Paulo Buso feito para o jornalista Ari Moro .
" Larguei em ultimo lugar , mas , depois de 8 voltas já estava alcançando os ponteiros , que eram Aroldo , Perereca , Chico Saide e Argemiro Preto , este correndo com um Cadillac 1940 cupê . Mais umas voltas e peguei a ponta para não deixa-la mais , vencendo a corrida . Um dos meus trunfos era que , eu ultrapassava os demais competidores nas curvas ,pois sabia faze-las melhor . Sempre ultrapassava-os por dentro . Lembro-me que era uma tarde de muito sol e publico numeroso . Quem deu a bandeirada de chegada foi Anfrísio Siqueira , responsável pela comissão de corridas do Automóvel Clube do Paraná . Como vencedor da Copa Centenário , recebi prémio em dinheiro , medalha e um diploma , este entregue pelo então Governador Bento Munhoz da Rocha Neto "
Ari completa , O diploma recebido do Governador , que Buso ostenta com orgulho , diz o seguinte , inclusive acrescentando um "s" ao seu sobrenome : " Automóvel Clube do Paraná - Outorgado Sr Paulo Busso , que com automóvel marca Ford obteve a primeira colocação na prova Centenário do Paraná , realizada em 11 de Outubro de 1953 . Curitiba 12 de Outubro de 1953 ." O documento é assinado por Alceu Cominese- Presidente- , e Luiz Gastão Cominese - Secretário daquela instituição .
Caro Ari , não tenho palavras para agradecer a você esta bela página do automobilismo Paranaense e Brasileiro que você mostrou com tanto carinho e competência . Obrigado .
P.S. Paulo Buso faleceu em Fevereiro de 2005 , sua filha Miriam Buso guarda com carinho sua carreteira .

domingo, 14 de novembro de 2010

70 ANOS

Raid Rio de Janeiro-Porto Alegre dezembro de 1940 - revista Touring.

- Momento após a chegada do Vice-Campeão da Corrida Automobilística Rio/Porto Alegre, o Sr. Ernesto Ranzolin, com o carro #26 Ford V8 1940, em frente a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, na tarde do domingo, dia 17 de novembro de 1940, sendo muito aplaudido pela multidão ali presente. Recebeu a bandeirada às 15h e 24 minutos.
Ernesto está satisfeito com o seu desempenho. Por sua brilhante corrida, foi muito festejado pelos seus parentes e amigos.
Tempo total do Rio de Janeiro à Porto Alegre:
29 horas 57 minutos e 17 segundos com velocidade média de 69 Km e 113 metros por hora, considerada excelente, devido ao mau estado das estradas com as grandes chuvas. Após a bandeirada final, o piloto Ernesto Ranzolin é escoltado pelo oficial da corrida.

 - Aspecto do café oferecido pelo Sr. Herbert Moses – Presidente do Automóvel Clube do Brasil aos pilotos e convidados. Vê-se de gravata borboleta o piloto Clemente Rovere e a direita, de branco, o grande volante brasileiro Chico Landi.

Há 70 anos a 1ª prova automobilística no Brasil

Sexta-Feira, 12/11/2010 por Meirelles Duarte | categorias Memórias do Esporte


Graças à internet, que abre e supera as fronteiras do Mundo, o programa Esportes no 20, do Canal 20 da NET, foi e continua sendo acompanhado nos Estado Unidos por um médico gaúcho que há 20 anos lá trabalha mas não se desvincula do seu Brasil e, principalmente, do seu Rio Grande do Sul: Antonio Ranzolin. Amante do automobilismo, por razões familiares, eis que filho de Ernesto Ranzolin, mantém com a jovem passo-fundense, hoje residente em Itapema, Graziela Menegaz Rocha, troca de informações o que levou a jovem jornalista e pesquisadora a tomar conhecimento da 1ª prova automobilística brasileira de longo percurso. A grande competição que movimentou todo o país foi em homenagem ao bi-centenário de Porto Alegre. Grandes nomes tomaram parte, pilotos que com o passar dos anos, em provas futuras, tornaram-se conhecidos no mundo do automobilismo. Organizada pelo Automóvel Clube do Brasil e com o prestígio do Touring Club do Brasil, a prova tinha como percurso Rio de Janeiro até Porto Alegre. Como as estradas eram de péssima qualidade, foi a competição dividida quatro etapas. Exatamente no dia 14 de novembro de l940 era dada a largada no Rio de Janeiro, presentes as mais altas autoridades do mundo político, esportivo, empresarial. Num total de 500 quilômetros, esta etapa concluía em São Paulo. Para a segunda etapa seriam cumpridos 496 quilômetros, entre São Paulo e Curitiba. Da capital paranaense até Florianópolis seriam mais 444 quilômetros. Finalmente a etapa final entre Florianópolis e Porto Alegre num total de 636 quilômetros. É bom registrar que ao final de cada etapa os corredores tinham tempo de recuperar suas máquinas e eles próprios, pois eram muito exigidos física e mentalmente. Toda a atenção dos gaúchos se voltava para a figura de Ernesto Ranzolin, pai do médico já referido e que forneceu detalhes, recortes de jornais e fotos à jovem Graziela, filha de Nelson Rocha, outro apaixonado do automobilismo, chegando às nossas mãos para juntarmos ao farto material desta modalidade esportiva. O vencedor foi o catarinense Clemente Rovere Dos 23 que deram a largada, somente 9 conseguiram completar a corrida.O grande favorito, o campeão uruguaio Suplici Sedes, teve fundido seu motor a poucos quilômetros da chegada. O 2º colocado foi o gaúcho Ernesto Ranzolin que recebeu a bandeirada às 15 horas e 27 minutos pilotando seu Ford V8 l940, nº 26. Foi delirantemente recebido, já que o vencedor era catarinense e torcida praticamente inexistia. Os 9 que conseguiram chegar, além do vencedor Clemente Rovero, e vice, o gaúcho Ernesto Ranzolin, os outros 7 foram, 3º Adalberto Moraes, 4º Oscar Bins, 5º Antonio Perez, 6º Raulino Miranda, 7º Iberê Correa, 8º  Ari Cortese e 9º Salvador Pereira. A média de toda a prova foi de 69 quilômetros 113 metros, o que atesta a péssima qualidade das estradas em todos os percursos tendo, a prova consumido 29 horas e 57 minutos da largada a chegada em Porto Alegre. Apesar de pequenas provas que se realizava no interior da Capital ou entre uma e outra cidade, esta que nos referimos é tida como a primeira na história do automobilismo brasileira e que neste domingo, dia 14, completa 70 anos de sua largada no Rio de Janeiro. Fica o devido registro para os amantes deste esporte que nos deu tantas alegrias e nos tornamos orgulhosos de nossos competidores nos anos seguintes, somando-se conquistas que ficaram imortalizadas no histórico do automobilismo brasileiro.

Ao Dr Antonio Ranzolin, Nelson Marques da Rocha e sua filha Graziela e ao jornalista Meirelles Duarte meus sinceros agradecimentos. Rui Amaral Jr

sábado, 31 de outubro de 2009

III 500 KM de Porto Alegre 1962 -Prologo

O grande e vitorioso piloto Orlando Menegaz recebendo o troféu da vitória .
A largada da corrida .

Recebi ontem de minha amiga Graziela Rocha o DVD contendo a filmagem dos 500 KM de Porto Alegre de 1962 . Simplesmente espetacular , já assisti duas vezes e não paro de admirar . A Graziela vai escrever , com uma pequena ajuda minha a história dessa corrida e mais importante com a ajuda de seu pai Nelson Rocha , sobrinho de Orlando Menegaz , que acompanhava todas corridas da época .
Voltando ao vídeo , lá aparecem os maiores pilotos e carros da época , várias carreteras , o VW-Porsche , Simcas , DKW e vários outros carros , vê-los correndo me emocionou . Vamos também colocar esse vídeo no YouTube . Na parte de entrega dos prêmios vários pilotos da época e a figura impressionante e sempre elegante do Orlando Menegaz .
Esperamos postar sobre a corrida em mais uns vinte dias , tenho certeza que com toda capacidade que a Graziela tem para escrever , e a fantástica memoria de seu pai Nelson vamos ler mais uma bela história como a que ela nos contou dos 500 KM de Porto Alegre 1957 .

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Quando elas sabem mais do que eles!!!!!!!

Sábado passado quando terminei de escrever sobre o X20 fui olhar meu outro blog e com surpresa vi uma nova seguidora , alem do Édo e do Fred que sempre me prestigiam tinha uma nova seguidora , a Leandra . Cliquei em sua foto e descobri que ela também escreve um blog , e dirige um centro automotivo e como minha Cláudia é pedagoga !!!Nas suas postagens ela conta como é seu convívio na sua empresa com homens , nenhum admite que uma mulher saiba sobre carros mais do que eles , e nas suas entrevistas para sites e outros meios de comunicação a reação dos homens é absurda . Já escrevi sobre a Lella , Danica e Mouton três mulheres que venceram muitos marmanjos , outro dia mostrei três beldades junto com as Ferrari , e logo em seguida lembrei de minhas queridas amigas Elisa e Graziela antigomodelistas e que entendem e muito sobre carros .

Elisa e o " Flecha de Plata " no Museu Fangio .
A Elisa alem de ser antigomodelista , promotora de eventos tem um site o ANTYQUA e escreve um blog em que mostra suas andanças pelo mundo dos carros antigos com muita propriedade e conhecimento . Ao ler sua postagem " Festival de Relíquias - Os Argentinos " fiquei até emocionado pelo jeito como ela descreveu os construtores de carros antigos Argentinos . Alem de tudo é Diretora Executiva do Mercedes Benz Club Brasil e Diretora Regional -PR da Federação Brasileira de Veículos Antigos . Graziela Rocha

E a Graziela então , achei-a escrevendo sobre carreteras no site ANTYQUA , antigomodelista escreve um blog que mostra os dragsters e arrancadas . Escreveu para nós no " Histórias " a corrida " 500 KM de Porto Alegre " e " Orlando Menegaz " duas postagens com ótimos textos e que fizeram um baita susseço . É sobrinha neta de Orlando Menegaz , filha de Nelson Rocha que acompanha corridas desde os áureos tempos .


Elisa seu amigo que corre na GT3 , Enzo Monteiro do Nascimento , e Nelson Rocha

Sidney e Dani Frigo , Nelson e Graziela .
Em seu blog Graziela conta a vida da família Frigo , Dani e Grandão seu marido . Dani piloto de dragster , mãe de três filhos um casal de gemeos com 9 anos e um filho com 6 anos , todos pilotos de dragsters . Dedicada ao que faz pilota seu dragster resoluta enfrentando qualquer desafio .

Leandra
Por fim a Leandra , não a conheço , mas lendo seu blog vejo que é uma batalhadora , pedagoga como minha Claudia , dirige seu centro automotivo e escreve muito bem em seu blog . A homenagem que escreveu a seu marido Dyonisio é algo imperdivel .

Como se vê os comentários maldosos que fazem a respeito da mulher que lida com automóvel e automobilismo é puro preconceito de quem deve entender do assunto muito menos do que elas e com isso se sentir diminuídos . Poderia descrever aqui de mais uma dezena de mulheres que lidam com automobilismo , Bia Figueiredo , Christina Rosito , Graziela Fernandes mas resolvi escrever de minhas duas amigas Graziela e Elisa e da Dani e Leandra que não conheço .
Inteligentes , bonitas elas sabem o que fazem e entendem de carros mais que muitos marmanjos .

Elisa Asinelli do Nascimento