A VERDADE NÃO SERIA BASTANTE PLAUSÍVEL SE FOSSE FICÇÃO - Richard Bach
Mostrando postagens com marcador Expedito Marazzi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Expedito Marazzi. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Equipe Marazzi Amaral.

Talvez seja este VW que vai à frente que o Expedito e eu transformamos no D3.
Num destes experimentamos as belas rodas Scorro com os Pirelli Corsa...
Está complicado ver, mas nesta foto estou no D3 que fizemos correndo a Copa Brasil de 1972...

Devia ser 1974, Expedito tinha um posto de gasolina da Shell, na rua Heitor Penteado, 1720 no Sumarezinho. Um dos boxes do posto, estava com o elevador quebrado, era um daqueles elevadores enormes movido a ar comprimido, ali, Expedito acabou fazendo uma pequena oficina, onde guardava o “Fumacinha”, seu formula Brasil e uma tralhas que antes ficavam na garagem da sua casa.
Foi nesse posto que conheci o Rui Amaral. Nessa época, ele havia se associado com o Expedito para montar a equipe Marazzi-Amaral de divisão 3. Logo, um Fusca 1963 foi comprado, era um carro de cor verde claro e a transformação começou. Logico, Gabriel e eu não perdíamos uma oportunidade de ir ao posto ver o andamento da construção do bólido. Um mecânico, de apelido “Alemão” foi contratado. Com o tempo, o carro foi sendo modificado, um radiador de óleo foi instalado dentro do porta malas a meia altura, junto com uma entrada de ar de alumínio, ficou bonito. O primeiro problema foi a instalação do tanque de gasolina de 60 litros, ele não entrava, só caberia num Fusca 1964, que tinha uma maior capacidade. Expedito lamentou, pois em corridas longas, o carro teria que parar mais vezes, então, sugeri que se cortasse a carroceria, seria a solução, mas, como não tinham, a curto prazo, a intenção de correr longas provas, o tanque pequeno ficou, depois resolveriam o problema com mais calma.
O motor foi montado e, na primeira vez que foi ligado, lógico que eu estava lá. Era uma noite de chuva fina e frio, típica de São Paulo daquela época. Logo um problema apareceu. Eu, na época, não entendi o que estava acontecendo, mas pelo que lembro, saía umas chamas pequenas em algum lugar por baixo do motor ou algo assim. Expedito foi chamado, viu o problema, mas também não entendeu o que estava acontecendo, então, resolveu chamar o seu sogro, um mecânico de mão cheia. Rui disse que ia sair e consultar um amigo de apelido “Violão”, e eu, logico fui com ele e o Alemão até a casa do tal consultor. Me lembro que a casa do cara ficava ali perto, numa ladeira bem radical. O Violão tinha um Fusca de cor “café com leite”, mas um DoubleWindows todo mexido, lindo carro. A oficina dele era típica de quem tem paixão por carros, cheia de peças e muitas ferramentas. Os três se reuniram para achar o problema, eu, ficava por perto só ouvindo. Violão achou melhor ir ao posto para ver o qual era o problema.Já no posto, nova reunião e depois de um tempo, chegaram à conclusão que era alguma coisa com óleo subindo para o cabeçote ou algo assim, realmente nunca fiquei sabendo o que realmente aconteceu. Logo depois, meu irmão chegou, ficou por cinco minutos e me levou embora sob meus intensos protestos.
Dias depois, numa tarde fui com o Expedito e Gabriel para o posto pois as rodas e os pneus haviam chegado. Quando viu as caixas das rodas, Marazzi parecia criança em noite de Natal que acabou de ganhar seu primeiro autorama. Abriu as caixas rapidamente, chamou um funcionário do posto e pediu que ele montasse os pneus nas rodas, ordem logo frustrada pelo Rui.
-Calma Marazzi, isso não pode ser assim. Vou mandar montar e balancear.
Expedito imitando uma criança, fingia choramingar e repetia sem parar...
-Mas eu quero, eu quero...
Porem, prevaleceu o bom senso do Rui.
                Dois dias depois, as rodas estavam montadas e balanceadas, mais uma vez, fui para o posto. Expedito chegou logo depois, e novamente virou uma criança. Chamou o mesmo funcionário e pediu para que ele colocasse as rodas no fusca, e novamente foi contrariado pelo Rui.
-Expedito, não vai caber, a carroceria não está pronta, vai raspar nos para-lamas...não dá... deixa as rodas quietas...
-Mas precisamos saber se realmente estão balanceadas...
Foi a desculpa do Marazzi, que realmente era uma criança nessas horas. Talvez, só para satisfazer o Expedito, Rui autorizou a monta-las no Fumacinha. Pronto, festa no box do posto...
-Ebaaaa....Vamos, vamos, vamos montar... anda, anda, anda...Pega a chave de rodas... Vamos, vamos... vamos montar...
E assim, o jogo foi montado no Fumacinha. Ficou lindo o “formulinha” com aqueles pneus enormes. Logico, sobre a desculpas de ver se estavam balanceados, lá foi o Expedito para a rua com o Fumacinha... Era hilário ver aquele carrinho andando na Heitor Penteado ao lado daqueles CMTC enormes. Todo mundo olhava num misto de surpresa e alegria. Rui também tentou andar com o carro, mas devido a sua estatura, ele mal entrava no formula. Acho que nem saiu do lugar, ou deu uma volta dentro do posto e desistiu.
                O carro foi para funilaria e pintura. Foi pintado de amarelo e azul com o mesmo layout dos carros do curso de pilotagem, igual ao da foto. Na época, ainda não se alargavam os para-lamas, foi colocado uma aba que rodeava o carro servido para cobrir os largos pneus e na frente como spoiler.  Ficou bonito. No interior, quatro bancos, um parecido com bancos de kart para o piloto e os outros três, eram aquelas cadeiras de plástico, muito comum nas lanchonetes da época. Acho que era uma estupida exigência do regulamento, me lembro que o #29 do Guaraná também tinha. Alguns relógios extras no painel pouco modificado, Santo Antônio e extintor, atrás, no chiqueirinho, o reservatório de óleo.
                Não fui no primeiro teste, mas o Gabriel foi e me contou uma história inusitada. O Alemão foi dirigindo o carro, Gabriel ao seu lado no banco de lanchonete. Rui naturalmente, estava em outro carro com o Expedito. Quando trafegavam pela marginal de Pinheiros, Gabriel vê um pneu passando pelo carro:
-Ih, olha uma roda...
Alemão olha e responde...
-É...
O carro anda mais alguns metros e “buummm”... A traseira arreia...
-É, acho que era a nossa roda...
Completa o Alemão.
A roda foi para longe, e os dois ficaram esperando o Rui ir buscar, dar toda a volta para recoloca-la e prosseguirem.
Não me lembro como foi o teste, claro que devo ter feito mil perguntas, mas realmente não me recordo de nada.
                Num sábado, estava em casa quando ouvi o ronco do D3 chegando, meu pai, eu e meu irmão Beto fomos para a rua. Era o dia da estreia do bólido. O carro estava parado em frente à casa do Expedito, Rui dirigia e Alemão ao seu lado. Expedito saiu de casa carregando umas três latas de aditivos, Winner, STP e Molykote. Explicou onde era para colocar os óleos, Alemão indagou que precisaria de mais óleo para o motor. Marazzi mandou que ele pegasse no posto. Assim, Rui deixou rolar o carro, fez o contorno na entrada da rua Florália e subiu a Ibiraçu acelerando. Ficamos olhando os movimentos do carro parados no meio da rua, quando ele entrou na Cerro Cora e sumiu, meu pai comentou:
-Está bonito o carro.
Marazzi respondeu:
, está bonito, vamos ver se anda.
Foi a última vez que vi o carro.
Não sei como foi a sua estreia, e sei que logo depois a equipe acabou por algum motivo que só o Rui pode esclarecer, mas não faz a mínima diferença. Foi bem legal acompanhar a construção desse lindo carrinho. Pena que não há fotos dele. Quem sabe, agora apareça alguma.
Um forte e veloz abraço a todos.

Mario Marcio "Cuca" Souto Maior

---------------------------------------------------------------------------------------------

Algumas considerações; a ano foi 1972, as rodas o Expedito e eu compramos na Scorro do Marco Grilli, eram de 10 pol de largura, os pneus fomos buscar na Pirelli e eram os Pirelli Corça de competição que logo ficaram obsoletos com a chegada dos slick, com este carro  corri a Copa Brasil de 1972 depois parei e voltei às pistas anos depois...
Ainda ontem no cockteil do lançamento dos 500 KM de São Paulo o Gabriel e eu falávamos de seu pai e do Cuca quando alguém ao nosso lado disse ser fã do Expedito o mesmo que alguém escreveu ontem em um post meu...Gabriel lembrou que seu pai morreu aos 53 e para as lágrimas não descerem comentei em como o Cuca e ele que são sete anos mais novos que eu me perturbavam nesta época!
Expedito era 15 anos mais velho que eu, e descaradamente o chamava de Velho, e a descrição do Cuca mostra perfeitamente seu espirito! 
Hoje abro o texto do Cuca e ele conta justamente daquela época tão boa, obrigado Cuca pelo carinho deste tão gostoso texto!
Dedico estas pequenas considerações aos queridos amigos de uma vida Cuca e Gabriel e à memoria do Expedito, sempre lembrado em nossos papos, de quem fui fã e tive o privilégio de ser amigo!

Rui Amaral Jr 

   



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Fala Expedito - Motor 3 1982

Meu amigo Expedito andando em nossos pequenos foguetes, alguns nem tanto como vocês podem ver no texto, meu carro havia quebrado a corrida anterior dois dias antes e não pode  andar. Nesta época nós os pilotos de ponta, Mogames, Elcio, Bruninho, Alvaro, Laercio, Marco, Tide e obviamente eu virávamos no circuito completo de Interlagos  em tempos por volta de 3m24s o que era muito rápido.
Abaixo vou colocar algumas fotos deste ano.

Rui Amaral Jr



















 Alvaro Guimarães, eu, Ricardo Mogames, Laercio dos Santos, Elcio Pelegrini e o sexto colocado Ferraz chegando na quebra de alguns pilotos de ponta.
Eu e Élcio Pelegrini no "S".
Largada com Elcio na pole, ao lado Mogames, mais atrás Bruninho, Elcio, Amadeu Rodrigues e eu...
#40 Amadeu Rodrigues e eu em corrida disputada no Anel Externo de Interlagos quando viramos à média de 180 km/h!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Turismo Especial Paulista - D3 - 1982


Começo de 1982, vou visitar o Chapa - Flávio Cuono - e lá encontro o Gasolina que me convida para testar uma Brasilia D3 sua, ele me diz que o Chapa havia dito à ele que eu era um piloto rápido e acertador e queria que eu fizesse algumas corridas com seu carro. O teste foi um fiasco, o carro era muito ruim e mesmo que colocasse nele uma usina de força do Chapa não seria competitivo. De volta à oficina do Chapa ele me diz que os irmãos Levorin, Arno e Marcos, da Salecar estavam vendendo o carro que o Fabinho corria. Comprei o carro que veio com dois motores, dois câmbios, muitas rodas, mais dois Weber 48...e o Chapa e eu levamos para sua oficina.
Revisamos o carro todo, refizemos os motores e comprei mais um, colocamos meu banco, o cinto Willians de seis pontos, o contagiros Jones e os relógios Smiths e fomos para a primeira corrida que era a segunda do campeonato, até que fui bem e quebrei quando vinha em segundo ou terceiro lugar brigando com o Laércio.

Me preparando para recomeçar.
  1ª corrida, quebrado entre o Sargento e o Laranja.

Para segunda corrida trouxemos o Carlão para trabalhar no acerto do chassi e cuidar do carro na pista e tudo mudou e o carro que era bom tornou-se com nosso trabalho de acerto rapidíssimo, leiam EFEITO CANGURU  onde conto sobre. 
Meu único problema era largar com a Caixa3 e sua primeira marcha muito longa mas na época não encontramos um diferencial mais longo para correr com a Caixa1. Vejam que nesta segunda corrida o Elcio Pelegrini largou na pole com o tempo de 3.22alto que se não me engano foi record para D3 em Interlagos e na corrida brigando com ele cravei a melhor volta com 3.23 alto tempos rapidíssimos que nos colocariam brigando com os grandes pilotos da D3 dos anos anteriores como meus amigos Junior Lara Campos e Arturo Fernandes. Nesta corrida o Mogames e o Laercio largaram na ponta e Elcio e eu viemos brigando pelo terceiro lugar tentando chegar nos ponteiros e a corida terminou com os dois nas duas primeiras colocações, eu em terceiro e Élcio em quarto. 


Élcio larga na ponta seguido de Mogames, eu com o terceiro tempo fico patinando na largada...
  Eu e Élcio brigando na curva do Laranja...
...logo à seguir no S. As brigas com o Élcio foram uma constante na temporada, é trabalhoso e gratificante batalhar com um grande piloto como ele.
No podiun desta corrida alguns nomes que fizeram da D3 a categoria que ela foi...Alvaro Guimarães em 5º, eu em 3º, Ricardo Mogames 1º, Laércio dos Santos em 2º e depois de muitas quebras dos que brigavam na frente Ferraz em sexto.

Foi nesta temporada que fizemos uma corrida pelo Anel Externo de Interlagos, quando novamente cheguei na terceira colocação, leiam em PÉ NO FUNDO!ANEL EXTERNO minha descrição desta deliciosa corrida, vencida pelo Mogames com Laércio em segundo.

 Amadeu Rodrigues e eu...
...eu e Sueco Gonçalves, estou tomando a curva Um. 
Eu, Mogames e Laércio.

Alguns grandes pilotos que competiram na TEP em 1982
Marco de Sordi com Álvaro Guimarães em seu encalço, Tide Dalécio, Amadeu Rodrigues se preparando para ultrapassar Duran, atrás Clélio ""Bé" Moacyr Souza e eu...
A disputa com dois botas como Marco de Sordi e Tide Dalécio é sempre emocionante, na primeira foto venho lá atrás a depois de ultrapassar alguns carros já brigo com eles.
   Outro grande piloto com quem brigar sempre foi emocionante é Álvaro Guimarães, nesta foto na Ferradura eu venho rápido para colocar volta no Conde e ele no #38 para colocar volta no Ferraz...pela posição dos carros fizemos as ultrapassagens antes do final da curva, pois quando se vinha brigando com alguém rápido como o Álvaro tínhamos que passar os retardatários forçando em qualquer lugar! Na foto ainda Sueco Conçalves e José Ramos. 

José Antonio Bruno, outro grande piloto que esteve na TEP.
João que nunca teve um carro à altura...

Foram oito corridas do campeonato que foi vencido pelo Mogames, não corri a primeira nem a última e não tenho registro das outras colocações.

MOTOR 3

Por volta do meio da temporada e vendo a sucesso da categoria meu saudoso amigo Expedito Marazzi resolveu fazer a bela matéria para a excelente Motor 3, naquele dia não pude chegar à tempo de falar com meu amigo e o Carlão levou meu carro apenas para as fotos, e cheguei apenas à tempo da foto que encima este post. O carro estava com as rodas de transporte e sem motor já que na corrida do fim de semana anterior eu havia quebrado. Lembro que na corrida quebrou um eixo de balanceiro justamente quando finalmente vinha na ponta.
Acredito que Expedito tenha ficado chateado de não andar com meu carro e muito menos me ver por lá, coisa que ficou muito bem resolvida tempos depois.
Abaixo digitalizei o texto e mais abaixo coloco as páginas do artigo em tamanho grande para que quiser ler na forma original.     


   
  
 





Imagens digitalizadas em tamanho grande, clique para expandir.




Aos meus amigos Expedito, Chapa, Carlão e Neguinho, os três últimos responsáveis por minhas atuações naquele ano. 

Rui Amaral Jr 

NT: Muita bobagem tenho ouvido sobre a volta da D3 com carros VW, passou...
Um carro destes carros competitivo era caríssimo, devo ter estourado quatro ou cinco motores durante a temporada, usado muitos jogos de pneus, fora todo o resto...passou mas Graças a Deus nós estávamos lá!